Por que as pessoas abandonaram o ônibus: obra decifra o colapso do transporte no Brasil
Em novo livro, ex-secretário de Transporte do DF Alex Carreiro critica o modelo de financiamento transporte público e propõe uma reestruturação do sistema. Lançamento será em 25 de junho, em Brasília.
Os congestionamentos deixaram de ser apenas um problema de trânsito para se tornar um entrave estrutural ao funcionamento das cidades brasileiras. Em meio ao avanço da motorização individual, à perda de produtividade e à degradação progressiva do transporte coletivo, o gestor público Alex Carreiro defende que o Brasil construiu, ao longo de décadas, um modelo urbano que expulsou passageiros dos ônibus e aprofundou desigualdades no acesso à cidade.
Imagem: divulgação internet Freepik
A tese está no centro de A Reconquista do Passageiro: Por que o transporte coletivo brasileiro entrou em colapso e o método para reconstruí-lo, livro lançado pela Bailer Books e que será apresentado no próximo dia 25 de junho, em Brasília. Ex-presidente da Apex-Brasil e ex-secretário executivo de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal, Carreiro sustenta que a crise da mobilidade urbana não é consequência inevitável do crescimento das cidades, mas resultado de escolhas políticas, econômicas e urbanísticas acumuladas ao longo do tempo.
“O automóvel não conquistou as cidades brasileiras pela sua superioridade. Conquistou porque o Estado o ajudou a conquistar”, afirma o autor.
Segundo estimativas baseadas em estudos da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), os congestionamentos geram prejuízos superiores a R$ 100 bilhões anuais ao país em produtividade perdida, impactos logísticos, aumento do consumo de combustível e custos associados à mobilidade urbana. Paralelamente, o transporte coletivo enfrenta queda contínua de passageiros, aumento tarifário, envelhecimento da frota e perda de competitividade diante do automóvel e da motocicleta.
Para Carreiro, parte importante desse colapso está associada ao que define como “Paradigma Tarifário-Dependente”, modelo em que o transporte coletivo passou a ser sustentado quase exclusivamente pela tarifa paga pelos passageiros. Na prática, afirma o autor, o sistema transferiu justamente para os usuários mais dependentes o peso do financiamento de uma infraestrutura que beneficia toda a dinâmica econômica urbana.
“O transporte coletivo passou a ser tratado como um negócio que precisa se pagar exclusivamente pela tarifa. O resultado é que quem mais depende do sistema acabou assumindo o custo de uma infraestrutura essencial para toda a cidade”, afirma.
No centro da obra está o conceito que o autor chama de “espiral de degradação” da mobilidade. Segundo Carreiro, a perda de passageiros desencadeia um ciclo contínuo de deterioração operacional e financeira: menos usuários reduzem a arrecadação; a queda de receita pressiona reajustes tarifários e cortes operacionais; a piora do serviço afasta ainda mais passageiros.
“Se eu perco o passageiro, a operação fica mais cara. Se ela fica mais cara, eu tenho que dividir esse custo entre quem ficou, justamente quem tem menos opção e menos voz para reclamar”, diz o autor.
Diante da redução da demanda, afirma, os sistemas urbanos acabam presos a um processo de difícil reversão, marcado por aumento de tarifas, redução de linhas, envelhecimento da frota e perda progressiva de atratividade do transporte coletivo.
“Ou a empresa reajusta a passagem, ou corta linhas, ou não renova o transporte. Com isso, ele deixa de ser atrativo e perde mais passageiros em ciclos sem fim”, resume.
Ao longo do livro, Carreiro argumenta que o debate sobre mobilidade urbana no Brasil permaneceu excessivamente concentrado na operação do sistema e pouco voltado à percepção do usuário. Segundo ele, a reconstrução do transporte coletivo passa necessariamente pela recuperação da confiança de quem abandonou ônibus, metrôs e trens urbanos ao longo dos últimos anos.
“A ideia é recuperar a confiança do usuário e atrair novamente aquele passageiro que se perdeu no meio do caminho”, afirma.
O autor ainda divide os usuários do sistema em dois grupos: aqueles que dependem exclusivamente do transporte coletivo e aqueles que possuem alternativa de deslocamento, como carro ou motocicleta. Para ele, reconquistar passageiros que hoje optam pelo transporte individual é fundamental para tornar o sistema economicamente mais equilibrado e socialmente menos desigual.
“Quando o passageiro que tem escolha volta para o transporte coletivo, o sistema inteiro se torna mais viável e menos pesado para quem não tem alternativa. Você democratiza não apenas o acesso ao transporte, mas a própria cidade e as oportunidades”, afirma.
Mais do que um diagnóstico sobre o colapso da mobilidade urbana, A Reconquista do Passageiro apresenta um conjunto de propostas voltadas à reorganização dos sistemas urbanos. O livro introduz o chamado Método de Reconquista do Passageiro (MRP), framework estruturado em eixos como eficiência operacional, sustentabilidade financeira, integração modal, inteligência de dados, renovação tecnológica e experiência do usuário.
De acordo com Carreiro, o modelo foi construído a partir de experiências práticas implementadas durante sua atuação na gestão pública do Distrito Federal, envolvendo renovação de frota, redução de falhas operacionais, reorganização do sistema e medidas voltadas à percepção dos usuários.
“Quando comecei a colocar no papel as medidas que vinham sendo adotadas, percebi que o mais importante não era inventar uma nova roda, mas consolidar aquilo que já havia mostrado resultado”, afirma. “O método nasce da aplicação de ações básicas, mas sempre olhando a operação a partir da percepção do passageiro.”
Ao defender que o transporte coletivo seja tratado como infraestrutura essencial nos moldes de saneamento, energia ou abastecimento a obra propõe uma mudança de paradigma no debate sobre mobilidade urbana no país.
“Subsídio ao transporte não é custo. É investimento em infraestrutura com retorno econômico, social e ambiental mensurável”, sustenta o autor.
Biografia
Alex Carreiro é gestor público e especialista em mobilidade urbana, com atuação em formulação de políticas públicas, gestão estratégica e articulação institucional. Foi secretário executivo da Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob-DF), onde participou diretamente de projetos voltados à modernização do transporte coletivo e à reorganização da mobilidade urbana em uma das maiores redes de transporte público do país.
Com trajetória construída em áreas estratégicas da administração pública federal, atuou na Presidência da Apex-Brasil, na Secretaria Nacional de Portos e na Chefia da Assessoria para Assuntos Parlamentares do INSS, acumulando experiência em gestão pública, infraestrutura, desenvolvimento econômico e relacionamento institucional.
Graduado em Comunicação Social e estudante de Direito no IBMEC, possui formação complementar em liderança, inovação, gestão pública e políticas urbanas por instituições nacionais e internacionais.
Em A Reconquista do Passageiro, reúne experiência prática de gestão, análise de políticas urbanas e debate sobre desenvolvimento das cidades para discutir as causas do colapso do transporte coletivo brasileiro e os caminhos para reconstrução da mobilidade urbana no país.
Sinopse
A Reconquista do Passageiro: Por que o transporte coletivo brasileiro entrou em colapso e o método para reconstruí-lo
Autor: Alex Carreiro
Editora: Bailer Books
Ano: 2026
ISBN: 978-65-827272-8-3
Em meio ao avanço dos congestionamentos, à perda de produtividade nas cidades e à degradação do transporte coletivo brasileiro, A Reconquista do Passageiro investiga as razões que levaram ao colapso da mobilidade urbana nas últimas décadas — e propõe caminhos para sua reconstrução.
Na obra, o gestor público Alex Carreiro sustenta que a crise do transporte coletivo não é resultado inevitável do crescimento urbano, mas consequência de escolhas políticas, econômicas e urbanísticas que priorizaram o transporte individual e transferiram aos passageiros o custo quase integral de um sistema essencial para toda a dinâmica das cidades.
O livro apresenta o conceito de “espiral de degradação” da mobilidade: um ciclo em que a perda de passageiros reduz a sustentabilidade financeira do sistema, provoca aumento tarifário, deteriora a qualidade do serviço e afasta ainda mais usuários do transporte coletivo.
A partir da experiência prática na gestão pública e da análise de dados, modelos internacionais e políticas urbanas, Carreiro argumenta que o Brasil consolidou um modelo de cidade baseado na motorização individual, aprofundando desigualdades no acesso ao trabalho, à educação e às oportunidades urbanas.
Mais do que um diagnóstico, a obra propõe um conjunto de soluções reunidas no chamado Método de Reconquista do Passageiro (MRP), framework estruturado em eixos como eficiência operacional, sustentabilidade financeira, inteligência de dados, integração modal e experiência do usuário. O objetivo central é recuperar a confiança de quem abandonou o transporte coletivo e reposicionar a mobilidade como infraestrutura essencial ao funcionamento das cidades.
Com linguagem acessível e abordagem voltada tanto ao debate público quanto à formulação de políticas urbanas, A Reconquista do Passageiro articula mobilidade, desenvolvimento econômico, desigualdade social e planejamento urbano para discutir um dos principais desafios das metrópoles brasileiras contemporâneas.
INFORMAÇÕES SOBRE O LIVRO
Título: A Reconquista do Passageiro: Por que o transporte coletivo brasileiro entrou em colapso e o método para reconstruí-lo
Autor: Alex Carreiro
Editora: Bailer Books
Ano: 2026
ISBN: 978-65-827272-8-3
SERVIÇO
Lançamento do livro: A Reconquista do Passageiro
Autor: Alex Carreiro
Data: 25 de junho de 2026
Horário: 19h
Local: SESI Lab — SCTS Lt 1, Plano Piloto, Brasília/DF
Por Júlia Schiaffarino
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