Especialista explica como a IA pode antecipar o diagnóstico do câncer, mas por que isso ainda não acontece na prática
No Dia Mundial do Combate ao Câncer, médico destaca avanços reais da tecnologia e os entraves que ainda impedem seu uso amplo nos sistemas de saúde
No contexto do Dia Mundial do Combate ao Câncer, celebrado em 8 de abril, o uso da inteligência artificial (IA) na medicina ganha destaque não apenas como tendência, mas como ferramenta já capaz de impactar diretamente o diagnóstico e o tratamento da doença. Apesar disso, sua aplicação prática ainda enfrenta limitações importantes.
Segundo o médico nutrólogo e intensivista Dr. José Israel Sanchez Robles, a principal contribuição atual da IA está na detecção precoce. “Hoje, a inteligência artificial já é capaz de analisar exames de imagem e identificar padrões suspeitos com alta precisão, muitas vezes antes mesmo de manifestações clínicas mais evidentes”, afirma.
O potencial é relevante diante da dimensão do problema. Estimativas indicam quase 20 milhões de novos casos de câncer e 9,7 milhões de mortes no mundo . Além disso, entre 30% e 50% dos casos poderiam ser prevenidos ou tratados com sucesso se diagnosticados precocemente.
Para o especialista, a tecnologia atua justamente nesse ponto crítico. “O câncer é uma doença em que o tempo faz toda a diferença. Quanto mais cedo se identificam alterações, maiores são as chances de sucesso no tratamento”, explica.
Apesar dos avanços, Robles ressalta que a IA ainda não está plenamente incorporada à rotina dos serviços de saúde. Um dos principais motivos é a dificuldade de acesso a dados clínicos organizados e compatíveis entre diferentes sistemas.
“A inteligência artificial depende de grandes volumes de dados bem estruturados. Hoje, essas informações ainda estão dispersas, sem padronização e com limitações de compartilhamento por questões de privacidade”, diz.
Outro desafio, segundo o médico, está na confiança dos profissionais. “Muitos sistemas ainda funcionam como uma “caixa-preta”. O médico recebe o resultado, mas nem sempre consegue compreender como ele foi gerado. Isso impacta diretamente a adoção na prática clínica.”
A regulação também influencia esse cenário. De acordo com Robles, embora países como Estados Unidos e membros da União Europeia avancem na validação dessas tecnologias, a incorporação ainda ocorre de forma desigual.
“Existe um caminho regulatório em construção. Sem validação clara e protocolos bem definidos, os serviços de saúde tendem a adotar essas soluções com maior cautela”, afirma.
Para o especialista, o desafio atual não é mais desenvolver a tecnologia, mas integrá-la ao cuidado real. A IA já demonstrou que pode auxiliar na detecção precoce do câncer e no apoio às decisões clínicas. “O que se impõe agora é transformar essa capacidade em rotina, com segurança e acesso ampliado.”
No Dia Mundial do Combate ao Câncer, a discussão sobre inovação ganha um novo foco: menos promessa e mais implementação.
Por Carlos Nathan
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